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Saídas da Casca

No último ano, as experiências com aguarelas produzidas a partir de partes de alimentos vegetais têm feito parte do dia-a-dia no atelier, ou diria, cozinha?

No entanto, estas experiências não começaram agora. A primeira vez que tentei prepará-las foi em 2019. Fiz uma aguarela de couve-roxa que usei para pintar alfazemas. Até hoje é a minha aguarela preferida; no entanto, na altura não foi paixão à primeira vista e, por isso, não lhe dei continuidade. Nesse ano, ainda trabalhava como ilustradora freelancer e, talvez por precisar de prever resultados e ter menos tempo para o processo, acabei por deixá-las de lado.



Só agora, em que a ilustração e a pintura são mais ocasionais — e sem ter de corresponder às expectativas dos clientes — é que retomei estas experiências. Posso dedicar-me à pintura sem precisar de pintar de forma optimizada para digitalizar e imprimir cópias. Esse processo ainda existe, por exemplo nas receitas ilustradas, mas são dois processos diferentes.


Viva a imprevisibilidade e a surpresa! A pintura, e a arte no geral, podem ser este laboratório onde lidamos com o inesperado e, neste caso, nos deixamos fascinar pelo mundo das cores. Por não serem sintéticas, estas cores fogem mais ao controlo. A aguarela feita a partir de pigmento natural não é de uma só cor — contém tonalidades, texturas, nuances e até cores distintas, dependendo do tempo ao lume, da proporção entre água e alimento… e até enquanto seca, continua a alterar-se. É uma pequena aprendizagem sobre mudança, imprevisibilidade e perda de controlo.



 
 
 

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